segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Todas as vezes que tento me convencer do contrário sobre algo que já está resolvido para mim, me pego em uma situação desesperadora: continuo a encarar a verdade sob a máscara da mentira e da conveniência. Mas eu não sou hipócrita, nunca fui. Por este motivo, ficar à mercê de um destino cretino, cheio de falsidades, fragilidades e inseguranças, não será opção viável, não é a opção que faço. O que escolho é ser feliz e livre, como devo ser, como é para ser - tomar grandes goles de determinação e fazer a coisa certa.

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Pequena coletânea de dicas:

O bom é ficar assim, tranquilo, confiar em quem realmente é confiável - olhar para si e saber que não há mentiras, omissões e outros tipos de lagartos asquerosos que não farão parte do meu jardim.

A liberdade é o melhor remédio para problemas com passarinhos selvagens engaiolados: eu abro as portas que os privam de voar. Eu abro as janelas que estavam fechadas: todos os poros estão escancarados, os cravos e espinhas saem naturalmente da pele de quem está ensebado, de quem enseba e enrola, de quem demora e não age, de quem tem medo e cala, de quem tenta e volta atrás, de quem está farto e já chega.


Olho e não vejo nada. Melhor solução: tirar as vendas que eu mesmo coloquei em mim. Tirar essa dor materializada em pedaços de pano que me cobrem a cara e o pensamento, o corpo e o movimento, os móveis e a sala. Afastar as coisas que não quero, angariar fundos para um futuro confortável e certo.

sábado, 16 de janeiro de 2010




Três grilos nos meus tímpanos, três certezas no bolso. Primeira: eu, cada vez mais, me conheço melhor. Segunda: o conhecimento de si é mau, não deixa viver a liberdade do que deveria ser desconhecido. Terceira: sou cauteloso e racional.
Peguei esses três ingredientes e coloquei no forno para assar por quase seis meses. O resultado é exatamente aquele que tento negar.
E, adivinha? Estou perplexo, mais uma vez.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Existem, na minha vaga ideia do que é o bom-senso, algumas finas barreiras que não podem, nunca, ser ultrapassadas. Tem certos cúmulos que são difíceis de aceitar, mesmo estando acostumado a pequenos absurdos. É uma indignação que grita e chacoalha meu corpo: minha raiva se multiplica como vírus. O controle exercido para não demonstrar a resposta que gostaria de dar é surreal - jamais imaginei ter tamanha capacidade. Ok, tô perplexo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Eu tenho seis escolhas variadas e discrepantes - todas, umas das outras. Eu tenho sete estrelas preferidas e oito amores escondidos. Mas o que eu não tenho - e o que eu busco, em unidade (porque já é completa, complexa e demais) - é a compreensão. Sim, a compreensão. Porque eu tenho três atitudes diferentes que discordam todo o tempo com o que eu penso que sou e com o que penso que deveria pensar. Mas os meus pensamentos são tão diversos e divertidos... Pervertidos e fáceis (porque eu já aprendi a mapear as causas). Das nove estações de humor que sintonizo, a principal é a que está sempre, soberana, coordenando as variâncias da personalidade: é a da sensibilidade. Estou suscetível aos acontecimentos derradeiros que se deleitam em rios de inexorável correnteza que percorrem os meus meandros cerebrais. São movimentos, choques elétricos, comunicações entre os neurônios e facetas que se repelem e se descobrem inimigas. São todas pares e odeiam as ímpares. São de uma certeza que nunca vi... E no meio da bagunça que acontece, as outras oito oscilações se confundem e não sabem quando agir coerentemente, convenientemente. É aí que o desagrado da falta de coesão entre pensamento e ação se faz.




E me irrita muito.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dos sonhos pirralhos, das coisas que nunca serão. De uma coisa batida e suja, esmurrada e medíocre, de olhos mentirosos e reputação maldita. Por que insistir?

Das maravilhas da utopia, que deveria ficar na privada, e dos sentimentos que jamais por completo eu deixo. Dados: 90% das esquisitices da vida e do comportamento advêm de um canal próprio, cheio de tubulações e buracos antigos, deixados por marcas secretas (antes, jamais e nunca reveladas). Daí, corroboro: o que o raciocínio completa (o não), não se enquadra na expectativa dos sonhos pirralhos e das coisas que nunca/talvez/quase certo/certamente serão.

De juízos complicados e jogadas ininteligíveis entendo eu, aqui o domínio é meu, muito e latente, eterno e infinito. Gosto de ter o controle, mesmo que seja de um lugar em que o reinado só corresponde à imaginação.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Teorias Subjetivistas X Objetivistas

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Humor completamente maldoso para comigo mesmo. Autocomiseração zero, hoje, só hoje, porque é tão absurdo, tão cretino, que merece gargalhadas tipo assim: "RÁ-RÁ-RÁ-RÁ" (bem devagar e com aumento progressivo do tom, por favor, senão a contextualização não fica à altura).
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Marx me diz que sou agente ativo, mas que não sei disso. Ele me sussura descaradamente esse absurdo-conhecimento como quem sopra uma vela, com calma - é quase sensual. Marx assopra no meu rosto as fagulhas de um fogo que posso acender quando souber do meu papel na história (daí vou ser como a mula que acorda de um transe e, de repente, se transforma em lebre).

Agora ele dança: cada vez mais rápido, mas com movimentos cheios de encanto e mistério. Marx dança a música que me diz o que não quero ouvir. Marx me diz mais do que quis me dizer, ele sapateia minha consciência com as mensagens que eu evito, com as mensagens que denunciam um destino quase certo - e eu ignoro as incômodas insinuações.

Porque tem também as teorias objetivistas, que me fazem vítima do mundo que roda e gira e é uma bosta. Daí fico na posição confortável de quem sabe que não precisa se mover, de quem sabe só o que não interessa, sou um alienado da vida, do mundo, de mim, de tudo - é assim que quero ficar. Porque se eu olho pros outros cantos, vislumbro mais do que a vista presente pode alcançar (terror e sensações esquisitas, déjà-vu - deus me livre desse mal, amém). Fogo sopra vento gelado, concebe? Nem eu. Por isso a realidade me chama. Melhor: a consciência (que, como o próprio nome já diz, sabe, conhece, tem propriedade nas reclamações que exclama-proclama) me chama, conversa comigo, me faz entender, me faz prever, tenta me ajudar - colocando à disposição da minha disposição a opção correta (que é aquela que dói menos e que em nada se parece com a loucura do fogo que sopra vento gelado, sem loucuras, sem asneiras, sem merdas - eu quero que não seja mais assim, eu quero a conveniência do que quero).

Sobretudo, existem as teorias subjetivistas, que me colocam no centro do cume do alto da montanha que se chama Responsabilidade - pelo que sou, pelo que serei, e, portanto, pelo que me acontecer (de bom ou de ruim, conforme a minha vontade tenha podido interferir nas consequências da situação). Alta demais essa montanha. Fria e vazia. Lá não me agarro às outras teorias. Só quem me acompanha é Marx (que sapateou em minha cabeça, em cima dela, espancando o crânio com violência sutil - conhecem a parábola do sapo escaldado? Pois é. Quase não percebi a ação destrutiva.), e como ele é morto, na verdade, só o que me acompanha mesmo são as minhas ideias inspiradas em pensamentos alheios (mas, agora que são meus pensamentos, manipulo do jeito que quiser e os adequo ao contexto que considerar mais coerente). Desço de lá porque quero. E quando eu quero é ponto. Ponto. "."

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sentimentos Absurdos e Cretinos


Eu falei há uns dias que eu controlo a ilusão. Mentira, não controlo. Eu tento, eu finjo, eu forço - mas não dá.



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Olha, se eu tenho que te dizer tantas coisas que a minha tagarelice não me deixou dizer, se eu tenho que te olhar de um jeito que eu não olho (porque fujo porque sou covarde porque tenho medo), se eu digo coisas estúpidas, se eu não sei bem como agir, se eu não controlo alguns impulsos; me desculpa - é porque eu acho que gosto de você. Debaixo de tantas luzes, com o véu espesso de ambientes inebriantes - porém densos - e sonoros, eu me sinto acuado, invadido.



Eu me sinto bem distante daquilo que idealizo: pessoa totalmente independente, controladora de sua vida e das situações que deseja para si. O ridículo é ter que assumir o absurdo de sentimentos que não sei, mas que existem e me fazem debochar do meu sentir incontrolável, bobinho e facilmente enganável. Por uns dias de instabilidade divertida e alucinação cretina, eu me rendi (a redenção pra mim é laranja). Eu me rendi à minha consciência, porque não minto para mim - dessa ilusão eu me livrei.



É fogo-fátuo? É outra coisa como carência ou saudade do sentimento? É impossível a extensão de algo banal e imaturo. Porque eu penso nas coisas com alguma praticidade porque preciso me defender, mostrar que as minhas quotas de obstinação são realmente generosas, eu penso que é impossível. Pena que eu não sou minha consciência, pena que eu não aplico todas as minhas teorias - o que digo é que não evito, não porque não gostaria, mas porque não posso, não tenho forças e, principalmente, não me engano. Aconteceu o que minhas atitudes premeditaram há algum tempo (bem específica, quase planejadamente, tiro quase certeiro, não fosse o incoveniente da falta de controle e tudo o mais que eu penso e não sei dizer) e eu devo esquecer. É a ordem mais aceitável dentro de um raciocínio sensato. Mas eu nem sempre sou sensato. Eu contradigo as minhas vontades por um simples fato: sensatez e paixão caminham (sempre) separadas.